Friday, August 27, 2010


Lembranças, álbuns de fotos, sorrisos, sonhos para sempre emoldurados nas galerias das minhas mais queridas recordações.

É isso que começo a divididir com vocês hoje e nas próximas sextas-feiras - Experiências Inesquecíveis.

Aproveito para abrir o espaço a quem quiser aproveitar o embalo e compartilhar conosco as emoções vividas em terras toscanas!

1 - O primeiro contato - A Piazza del Campo

Vinte e poucos anos e nenhum histórico de paixão prévia pela terra dos meus ancestrais. Talvez um tanto estranho para alguns, mas confesso que antes de pisar ali, as histórias de família não foram suficientes para me encantar.

As lágrimas nos olhos do meu pai ao falar da Ponte Vecchio, em Florença e recordar seus dias como estudante na Universidade de Arquitetura, não tinham o poder de me emocionar.

Quem sabe algum resquício de rebeldia adolescente, ou uma vontade de ser do contra numa cidade onde grande parte dos habitantes é de descendência italiana, como São Paulo.

A oportunidade praticamente caiu no meu colo - uma viagem  na companhia de outros tantos jovens de mesma origem, para estudar a língua e a cultura, na Università per Stranieri di Siena, promovida pela Regione Toscana. A terra chamando de volta seus filhos e netos.

Embarquei, apaixonada e curiosa que sempre fui por viagens. Cheguei por Milão e de lá um segundo vôo até Florença. Táxis, confusão, malas, correria e um ônibus dali até Siena, nossa "casa" pelos próximos 40 dias e cidade onde nasceu meu avô.

A ficha só caiu quando cheguei na Piazza del Campo naquela mesma noite. O deslumbramento foi tão grande que me arrancou do meu estado de exaustão, derrubou meu queixo e encheu meus olhos de lágrimas.

A cidade com suas encantadoras ruelas estreitas e encaracoladas, um labirinto mágico, onde todos os caminhos levam ao Campo.

Talvez seja incapaz de traduzir em palavras a emoção transmitida por aquela velha praça, o coração da cidade. Uma construção semi-circular, em tijolos vermelhos e com o imponente Palazzo Comunale e a torre del Mangia, de onde descobri uns dos panoramas mais lindos da minha vida, alguns dias depois.

Ali tem qualquer coisa que precisa ser vivida. Não, as fotos não falam por si só, os textos não podem explicar que espécie de magia paira no ar, para ampliar-se ainda mais nas noites estreladas de verão.

Entusiasmo, euforia que volta à minha alma a cada retorno, sem amornar-se e que me arranca lágrimas quando a deixo. Amar um lugar? Não. É amor, sem necessidade de complementos, o amor mais profundo e puro que já fui capaz de sentir até hoje.




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