Showing posts with label experiências inesquecíveis. Show all posts
Showing posts with label experiências inesquecíveis. Show all posts

Friday, September 17, 2010

Agito sob as estrelas


Muito se fala sobre o Palio de Siena, a medieval corrida de cavalos que acontece até hoje, duas vezes ao ano (2 de julho e 16 de agosto), na Piazza del Campo, em Siena.

As raizes dessa empolgante manifestação são inquestionáveis e se entrelaçam à própria história da cidade. Valores seculares, rivalidades  que atravessaram os anos, maridos e mulheres que seguem em direções diferentes e se separam nos dias da corrida para honrar sua "contrada" (espécies de bairros ou paróquias em que se dividem a cidade) natal.

Entretanto, a fascinante tradição não se limita ao âmbito histórico (leia mais) e envolve família inteiras, pessoas de todas as idades em noites agitadíssimas de muita diversão. As festas das "contrade" são as grandes responsávies pelas vibrantes noites de verão de Siena.

No mês que antecede cada um dos Palios, cada contrada realiza uma semana de festa em sua sede. São eventos fantasticos, muito particulares e que sem dúvida, valem a experiência. Diria, que uma das mais deliciosas que vive por lá!

Amplos espaços ao ar livre onde se reúnem pessoas de todas as idades, música, comida, vinho, cerveja e dança. Praticamente uma "balada familiar". Difícil definir porque não temos nada similar aqui no Brasil, mas o ambiente lembra um pouco o das nossas quermesses.

Me lembro da minha primeira festa, na contrada do Bruco, em 2004. A primeira vista, tudo parecia um tanto estranho e nos todos como "peixes fora d'água". Para começar, não entendiamos a "playlist" - alternava-se o pop moderninho e musicas tradicionais italianas, como a inesquecível (e divertidíssima!) "Tanti Auguri" di Raffaela Carra, de 1978 e ate algumas "perolas" genuinamente brasileiras como "Você me Apareceu" (do Kaleidoscópio) e "To nem aí" (da Luka). Alguém  se lembra deles? Sinceramente, espero que não! rs.

A confusa - mas que depois tornou-se muito divertida e gera até hoje uma enorme saudade - playlist nao mudava no decorrer das noites, mas o astral era tao alto, as pessoas todas tão felizes, que  o efeito foi contagiante.

Uma festa saudável e inebriante. Me perdoem os baladeiros de plantão, mas é verdade, me refiro ao clima "poluído" da maioria das discotecas e afins - quase sempre com energia pesada, artificialismo, climinha de exibicionismo fake e muita droga. 

Na segunda ou terceira noite, entramos literalmente na dança e coreografias engraçadinhas começaram a surgir, embaladas pelas músicas mais disparatadas. Gente bonita e bem arrumada - mais uma ocasião para admirar o supreendente talento das italianas para desfilar sobre saltos altíssimos nos mais insólitos territórios, de pedras à grama e terra batida.

Noites inesquecíveis de dançar sob as estrelas em pleno verão toscano...




Friday, September 10, 2010


Queridos, hoje a experiência inequecível não foi vivida por mim, mas pela minha querida amiga Flavia Sbragia, autora do delicioso Toscana, aí vou eu.

Recentemente ela esteve na região, sortudíssima, depois de ganhar o primeiro prêmio em um sorteio promovido pela Região Toscana para ir assistir ao Festival Puccini, em Torre del Lago, Lucca (leia mais).

Experiência maravilhosa, cheia de surpresas, emoção e beleza que ela generosamente divide conosco! Descubra outros encantos dessa viagem nos posts da Flavinha no Toscana, aí vou eu!

Bom dia amiga,

Cheguei já há algumas semanas da viagem, mas só agora consegui parar e te escrever contando como foi tudo.

Incrível, emocionante, maravilhoso, mais um sonho intensamente vivido. É isso que eu posso dizer do que foram esses quase 8 dias de Toscana.

Com o carro alugado conseguimos percorrer as várias paisagens da região. Desde o azul do mar Tirreno, que banha todo o litoral, passando pelas colinas e vales do interior, chegando na aventura de conhecer uma mina interna dos maravilhosos mármores de Carrara.

Fui à muitas cidades, por volta de 17. Algumas já conhecia, outras não. Viareggio, nosso primeiro ponto de apoio, já que a hospedagem estava incluída no prêmio, é uma cidade acima de tudo jovem. Jovens de todas as idades passeiam e se divertem na rua principal que margeia a praia. Muita vida, diversão, alegria.

Desde pais com filhos. até grupos de jovens que saiam a procura de divertimento em casas onde pudessem dançar e paquerar. Mas isso passando também pelas inúmeras pessoas da terceira idade que passeavam com suas bicicletas, ou até de andador, mas nada que as fizessem se sentir mais velhas do que qualquer um que passasse por elas. Fantástico.

Quanto às óperas, foi maravilhoso. O teatro ao lado do lago é estupendo. A paisagem é encantadora. Fomos assistir Tosca e Madamma Buterfly. Ambas com artistas talentosos tantos nos palcos cantando como os músicos que meio que escondidos, davam toda a alma do espetáculo. Lá é meio frio, pois é aberto, perto do lago e ainda bem mais para cima, portanto, aconselho levar um casaquinho. Isso foi por experiência própria, morri de frio no primeiro dia.

Entre os vales e colinas fomos em um primeiro momento encontrar Firenze, Lucca, Vinci, Pescia, Collodi e a sua querida Siena. Sim, fomo ao Palio de Siena. Que coisa linda, que aura emocionante fica a cidade no dia. Desfiles das contradas pela cidade inteira até o momento auge do evento, a corrida.

É muito emocionante ficar no meio daquela praça, cheio de gente ao seu redor para ver tudo acontecer. Roupas medievais, gestos medievais, alma medieval. Você se transporta realmente para uma época em que nunca esteve, mas agora posso dizer, estive sim e foi lindo!

Voltando para perto do mar, fui à cidades entre Viareggio e Carrara. Me deliciei com o Lardo de Collonata, que no primeiro momento parece algo terrível, mas só provando para saber o quanto é saboroso, como derrete na boca. E ainda fui conhecer algo que nunca imaginei ir, as Caves de Mármore.

Muito legal ouvir as explicações de como é extraído esse que é um produto tão caro e cobiçado pelo mundo inteiro. Fiquei literalmente envolta por ele. Era mármore no chão, nas paredes, no teto, tudo ao meu redor era mármore. Não dava para dizer que tal coisa na parede não era essa pedra maravilhosa. Emocionante e interessante o passeio.

Em um segundo momento fomos à Sansepolcro, nosso segundo lugar de apoio, mas este com somente duas noites. Deu para aproveitar bastante, deu até para voltar à Arezzo, cidade tão linda.

Em Sansepolcro é que conheci uma senhora que para sempre ficará no coração. Um doce de pessoa que desde o inicio foi simpática, atenciosa, parecia que nos conhecíamos fazia tempo. Foi ela quem me apresentou ao hotel que ficamos. Uma construção medieval que foi casa de vários nobres. Me contou histórias reais incríveis, todas vividas em uma época distante, mas naquele mesmo local.

Bem, foi isso. Saudade de tudo. Passou rápido. Sair de lá foi melancólico. Queria ter ficado mais, mas fica para a próxima. Novos sonhos. Sempre haverá algum sonho para se viver na Toscana. Nunca deixe de vivê-los, pois assim sempre serão reais.

Um grande beijo,

Flavinha

* A imagem que ilustra o post é da cidade de Vinci e pertence ao arquivo pessoal da Flavinha!

Friday, September 3, 2010

Colcha de retalhos cultural


É, sei que falo muito de Siena. Me desculpem, meus queridos leitores se isso começa a tornar-se um tanto repetitivo, mas além de declarar mais uma vez meu imenso amor por aquela cidade, trata-se do local da Toscana onde vivi algumas das experiências mais marcantes até hoje.

Como contei no post da última sexta-feira, passei ali cerca de 40 dias, em dois dos verões mais belos  da minha vida, para estudar italiano e cultura na Università per Stranieri di Siena, com o patrocínio da Regione Toscana.

Além de outras muitas lembranças maravilhosas que guardarei para sempre dentro de mim, divido com vocês uma experiência fascinante que pode ser repetida por qualquer um, o encanto de estudar em uma "Universidade para Estrangeiros".

Já no primeiro dia de aula fiquei intrigada com a diversidade de pessoas na minha classe. Não apenas em relação as diversas nações de proveniência, mas também de "tipos", roupas, "formatos" e idades.

O ator eslovaco, de quarenta e poucos anos - um "gentleman" indefectível e dono de um senso de humor sensacional; a doce menina mulçumana do Uzbequistão que emocionou a todos contando sua visão peculiar sobre casamento e sua naturalidade ao falar sobre o  direito do marido de punir a mulher fisicamente; as japonesinhas simpáticas que vestiram lindos quimonos para dividir conosco um pouquinho de sua colorida cultura, a freira da Tanzânia com seu hábito azul e outras tantas figuras queridas e cheias de peculiaridades.

Maravilhoso e enriquecedor poder conhecer fragmentos e minúcias de outras culturas tão diferentes da nossa. Poucas coisas até hoje me tocaram em modo tão profundo. Uma oportunidade singular para aprender a conviver com as diferenças e tornar isso ponto de admiração e não de discórdia. Admirar a beleza contida em cada nação, em cada gesto e costume.

Aí a língua destrava e não existe mais a vergonha de falar errado, não importam as diferenças de idade, muito menos as culturais. O importante é comunicar, compartilhar. Um dia, deslumbrados com aquele cenário multi-étnico que se descortinava diante de nós,  organizamos um jantar na casa de uma querida amiga equatoriana, em que cada um deveria levar um prato típico do seu país.

Sushis, bananas fritas com molho de queijo, rolinhos primavera no estilo vietnamita (sim tínhamos uma representante de lá entre nós!), crepes franceses legítimos e tantos outros recortes da imensa colcha de retalhos da gastronomia internacional, conviveram harmoniosamente.

Nós, como bons brasileiros (éramos quatro na mesma classe), hospedados em um hotel e sem ter como cozinhar, improvisamos uma caipirinha. Não ficou excelente, mas arrancou aplausos e foi o suficiente para deixar o apartamento inteiro em clima de festa. Nunca mais esqueceram nossa "iguaria", embora jamais tenham conseguido falar "caipirinha"!

*Aproveito para desejar a todos um delicioso feriado de 07 de setembro!! Aproveitem muito e quarta-feira, 08 estou de volta ao blog!




Friday, August 27, 2010


Lembranças, álbuns de fotos, sorrisos, sonhos para sempre emoldurados nas galerias das minhas mais queridas recordações.

É isso que começo a divididir com vocês hoje e nas próximas sextas-feiras - Experiências Inesquecíveis.

Aproveito para abrir o espaço a quem quiser aproveitar o embalo e compartilhar conosco as emoções vividas em terras toscanas!

1 - O primeiro contato - A Piazza del Campo

Vinte e poucos anos e nenhum histórico de paixão prévia pela terra dos meus ancestrais. Talvez um tanto estranho para alguns, mas confesso que antes de pisar ali, as histórias de família não foram suficientes para me encantar.

As lágrimas nos olhos do meu pai ao falar da Ponte Vecchio, em Florença e recordar seus dias como estudante na Universidade de Arquitetura, não tinham o poder de me emocionar.

Quem sabe algum resquício de rebeldia adolescente, ou uma vontade de ser do contra numa cidade onde grande parte dos habitantes é de descendência italiana, como São Paulo.

A oportunidade praticamente caiu no meu colo - uma viagem  na companhia de outros tantos jovens de mesma origem, para estudar a língua e a cultura, na Università per Stranieri di Siena, promovida pela Regione Toscana. A terra chamando de volta seus filhos e netos.

Embarquei, apaixonada e curiosa que sempre fui por viagens. Cheguei por Milão e de lá um segundo vôo até Florença. Táxis, confusão, malas, correria e um ônibus dali até Siena, nossa "casa" pelos próximos 40 dias e cidade onde nasceu meu avô.

A ficha só caiu quando cheguei na Piazza del Campo naquela mesma noite. O deslumbramento foi tão grande que me arrancou do meu estado de exaustão, derrubou meu queixo e encheu meus olhos de lágrimas.

A cidade com suas encantadoras ruelas estreitas e encaracoladas, um labirinto mágico, onde todos os caminhos levam ao Campo.

Talvez seja incapaz de traduzir em palavras a emoção transmitida por aquela velha praça, o coração da cidade. Uma construção semi-circular, em tijolos vermelhos e com o imponente Palazzo Comunale e a torre del Mangia, de onde descobri uns dos panoramas mais lindos da minha vida, alguns dias depois.

Ali tem qualquer coisa que precisa ser vivida. Não, as fotos não falam por si só, os textos não podem explicar que espécie de magia paira no ar, para ampliar-se ainda mais nas noites estreladas de verão.

Entusiasmo, euforia que volta à minha alma a cada retorno, sem amornar-se e que me arranca lágrimas quando a deixo. Amar um lugar? Não. É amor, sem necessidade de complementos, o amor mais profundo e puro que já fui capaz de sentir até hoje.