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Wednesday, February 24, 2010

Sob as bençãos da Toscana


Ainda que a idéia de casamento não me seduza, certa vez em Siena presenciei uma cena interessantíssima - uma noiva divertida passeava pelas estreitas ruas da cidade, seguida por um pequeno cortejo de convidados, por um noivo coadjuvante e por um fotógrafo empolgadíssimo.

A garota fazia caras e bocas em meio a todo aquele clima medieval e curtia horrores seu momento de modelo, entre gargalhadas gerais de uma meia-dúzia de pessoas já ligeiramente embriagada. Parecia mais uma sessão de fotos publicitárias, mas não era - tratava-se de um casamento muito diferente da mesmice tradicional.

Inspirada por essa cena irreverente, andei pesquisando por aí com a ajuda da minha querida amiga, Flavia Sbragia, autora do blog "Toscana, aí vou eu" e descobri algumas empresas especializadas em realizar casamentos nesse que é um dos lugares mais românticos do mundo!

A Weddings and Weddings, por exemplo, cuida de tudo, da documentação, à festa, passando pelo cabeleireiro e maquiador. Cerimônias civis, religiosas, ou apenas simbólicas, a empresa garante que cuida de cada detalhe e oferece pacotes para todos os bolsos e nas mais diversas cidades da região.

Noivos descendentes de italianos, tem um tratamento todo especial por parte da equipe do gentil Sr. Enrico Taliani, que se encarrega até mesmo de pesquisar o local exato de origem da família, por meio do auxílio de associações italianas baseadas em diversas partes do mundo. Confira o site aqui.

A Wedding in Tuscany segue a mesma linha de serviços e oferece "cenários" maravilhosos - antigos borgos, abadias, villas, tudo legítimo! Em vez do casamento, me empolguei com as fotos e sonhei com um baile de máscaras... Devaneios à parte, confira o site da empresa aqui!

Conversei com a simpaticíssima Francesca que ofereceu uma promoção especial para os leitores do blog - 10% de desconto sobre o valor do pacote completo
(Full wedding planning)! Basta mencionar a oferta "giropelatoscana". Ah, quase me esqueço, brasileiros, sintam-se a vontade, ela também fala português e está a disposição de quem precisar de maiores informações!

A Wedding With a View encoraja a imaginação dos seus clientes a voar bem alto e oferece até festas temáticas - spas para os convidados e Ferrari tours. Um casamento na região do Chianti, para 50 convidados, incluindo duas noites de acomodação sai por cerca de 17.500 euros. Se preferir casar em Florença, desembolsará em torno de 19.800 euros. Veja outras opções no site.

A TuscanDream propõe casamentos em castelos medievais e renascentistas, em Florença e Siena. Há ainda uma opção de um castelo em Montalcino, com a festa regada a Brunello. Ainda que casar não esteja nos seus planos, passe no site para apreciar os lugares maravilhosos oferecidos pela empresa. Nas minhas pesquisas para o post, falei com a atenciosíssima Carolina e recebi respostas super rápidas, o que a meu ver garante que o seu atendimento será 100%!

A Toscana Cerimonie também promete cuidar de todos os detalhes, seja a cerimônia civil ou religiosa. Villas, castelos, pequenas capelas pitorescas, carros vintage, músicos de alto nível e até fogos de artifício podem fazer parte da sua festa. Consulte o site.

Já o Yourtuscanvilla é mais focado  na locação de propriedades, mas também se encarrega dos contatos para a cerimônia. A locação de uma villa na Versilia, por exemplo, custa cerca de 4.500 euros por semana. Veja o site aqui (em português!).

Em tempo, uma última observação importante, engana-se quem pensa que casar na Toscana é caro demais.  Dê uma olhada nas opções oferecidas pelas empresas que menciono no texto e veja que algumas delas são muito mais econômicas que uma festa tradicional média aqui no Brasil!

* A foto que ilustra o post é da TuscanDream






Saturday, December 19, 2009

Puro luxo - lugares para sonhar bem alto!


Não é só na moda que a Toscana esbanja luxo. A rede hoteleira da região também oferece um vasto cardápio voltado a este segmento.

Excelente exemplo é o "La Tenuta il Borro", opção de agriturismo* pertencente à família Ferragamo - 700 hectares aos pés do Monte Patromagno, em Valdarno (província de Arezzo). A produção de vinhos (Supertoscanos) e azeites é o outro negócio do local.

Além das lindas fotos no site, conto com o testemunho de um amigo que esteve hospedado alguns dias por lá no ano passado. Os afortunados viajantes podem escolher entre casas coloniais, vilas com piscina ou apartamento. Este meu amigo preferiu a casa colonial e garante que mantém a atmosfera histórica, porém equipada com todos os confortos modernos.

Segundo ele, a gastronomia é um capítulo a parte. Viajante experiente e apreciador da boa mesa e dos bons vinhos, elegeu o restaurante local como um de seus favoritos. Definitivamente um local para sonhar, elegante em todos os detalhes.

Já o "Monsignor della Casa", imerso na natureza do Mugello, foi o vencedor do primeiro prêmio do guia londrino Condè Nath Johansens, pelo segundo ano consecutivo. A apenas 27 km de Florença e inserido na categoria agriturística, é certamente um lugar cheio de charme que ainda oferece diversos serviços de spa e bem-estar.

Os enófilos certamente se apaixonarão pelo "Castello Banfi", um castelo fabuloso, uma das mais renomadas vinícolas produtoras do consagrado Brunello di Montalcino (é de lá a foto que ilustra o post). Acomodações mais do que luxuosas, spa moderníssimo e serviços de concierges excepcionais como passeios de balão, a possibilidade de dirigir grandes carros esportivos italianos e outros mimos para lá de especiais. Entre no site, nem que seja apenas para sonhar e programar suas metas de Ano Novo!

Essas são apenas algumas entre as muitas opções de hotéis de luxo e agriturismo na Toscana. Foram aquelas pelas quais me apaixonei a primeira vista, ou melhor, ao primeiro clique!

* Rápida explicação - Todos os locais classificados como agriturísticos desenvolvem a atividade hoteleira em paralelo à uma outra atividade agrícola, na Toscana, na maioria dos casos, a produção de vinhos.





Friday, December 4, 2009

Jóia engarrafada - Brunello di Montalcino


Se o assunto "vinhos" é algo que te interessa ao menos minimamente, provavelmente já deve ter ouvido falar, ou mesmo provado, o famoso Brunello di Montalcino, vinho DOCG (Denominazione d'Origine Controllata e Garantita - leia aqui).

Montalcino é uma linda cidadela a 65km ao sul de Siena, em direção a costa. Situada no topo de uma colina e rodeadas pelos vinhedos produtores do famoso vinho tinto, é cortada por deliciosas ruelas cheias de lojas de produtos enogastronômicos. Passeio incrível!

Quanto ao Brunello, quase uma "jóia engarrafada", originou-se em 1888 quando o tradicional vinicultor Ferrucio Biondi-Santi, produziu um vinho feito a partir de um clone selecionado da uva Sangiovese (leia aqui).

O clima mais seco e com verões quentes, gera uma uva mais madura que pode garantir um teor alcóolico de até 14% ou mais. É um vinho tinto bastante tânico (sabe aquele gostinho que "trava a língua? é mais ou menos isso), intenso e concentrado.

O sabor forte do vinho pode torná-lo quase desagradável se consumido jovem demais, o que gerou leis que regulamentam o tempo de maturação em torno de dois anos. Toda essa complexidade é o que faz seu preço chegar às alturas.

Claro que na região pode-se encontrar garrafas bastante acessíveis, inclusive em torno de 20 euros, no entanto, segundo os especialistas, os Brunellos realmente bons são aqueles com mais de 15 ou 20 anos de guarda.

Já provei alguns Brunellos, mas ainda não tive a chance de provar um desses "realmente maravilhosos", portanto, não posso comparar. Acredito sim que seja um vinho que melhore com o tempo, pois é de fato intenso e já delicioso mesmo antes de virar "ótimo". De qualquer forma, se passar por ali e seu bolso não estiver assim tão recheado, vale provar o que puder pagar, ou mesmo, fazer um dos passeios de degustação oferecidos pelas inúmeras cantinas.

*as fotos que ilustram o post foram tiradas na Cantina Abbadia Ardenga. Quanto à qualidade do vinho, não sou nenhuma expert para poder falar, mas a diversão é garantida!


Sunday, November 15, 2009

Inacreditáveis vinhos toscanos


Folheando a edição número 49 da ótima revista Adega, tive a feliz surpresa de deparar-me com a matéria "O vinho sob o céu da Toscana", assinada por Aguinaldo Záckia Albert. Desde que iniciei o blog tinha vontade de escrever algo sobre o tema.

Antes de iniciar este post, quero deixar bem claro que estou bem longe de ser uma enóloga, embora me interesse e goste muito do assunto. Sendo assim, contei com o know-how de gente que entende do riscado e usei informações de "A bíblia do vinho", de Karen MacNeil, do site "Enciclopédia do Vinho", de Gianni Tartari e obviamente, da própria matéria da Adega.

O assunto é extenso, portanto decidi em um primeiro momento apenas jogar uma luz para ajudar a esclarecer a importância da Toscana como região vinícola, para mais tarde, aprofundar-me em cada um dos vinhos mais importantes da região - Chiantis, Brunello di Montalcino, Nobile di Montepulciano e Supertoscanos, além do Carmignano, Vernaccia di San Gimignano e Rosso di Montalcino.

A Itália é líder mundial de vinho, há 1,2 milhões de vitinicultores e o consumo per capita é de 104 litros. Os vinhos italianos correspondem a 60% do total importado pelos EUA e vão parar também nas prateleiras da Alemanha e França.

A Toscana apresenta uma paisagem bastante variada, diversos tipos de solos e microclimas diferentes, resultando em uvas distintas e vinhos muito particulares. A principal uva tinta é a Sangiovese, alma do Chianti, seguida pela Brunello, Canaiolo, Prugnolo Gentile, Pollera Nera, Morelino di Scansano e as francesas Cabernet Sauvignon e Merlot. Entre as brancas encontramos a Malvasia do Chianti, a Malvasia Candia, Trebbiano, Vermentino di Luni, Ansônica e as gaulesas Chardonnay e Sauvignon Blanc.

A indústria italiana de vinhos tem um sistema de leis para regularizá-la. Estabelecido primeiramente em 1963, apresenta algumas peculiaridades, mas a idéia é que sirva como referência na hora de escolher um vinho. As rígidas regras para obtenção do conceito de DOC (Denominazione d´Origine Controllata), permitia no entanto, que o vinho Chianti pudesse ter até 30% de uvas brancas em sua composição, gerando uma invasão de vinhos claros e mais baratos de produtores de menor prestígio. O descontentamento de produtores tradicionais com as novas regras culminou no fenômeno dos Supertoscanos.

A nova legislação vinícola de 1984 – que introduziu o conceito de IGT (Indicazione Geografica Tipica) para vinhos com formulação distinta e tornou mais maleável algumas das regras anteriores – deu força para a recuperação do Chianti, que foi elevado à categoria de DOCG (Denominazione d’Origine Controllata e Garantita). Por outro lado, limitou a adição de uvas brancas e abriu espaço para a utilização de 10% de uvas não-tradicionais, como Cabernet Sauvignon – permitindo que bons vinhos feitos com este corte ganhassem o direito de usar a denominação Chianti ou Chianti Classico, de acordo com a região.

Fecho esse post declarando meu amor por um vinho que pode não ser o melhor dos Chiantis Classicos, mas que para mim é muito especial por ter sido um dos primeiros que provei, presenteada por meu pai - Chianti Classico Villa Cerna. Com isso, aprendi também que a emoção é a alma do vinho. Obrigada pai! O amor pelo vinho é amor por você.